segunda-feira, 18 de julho de 2011

window watching



She spent hours and days and months and ages staring through that window. Couldn´t move away, couldn´t look away. She was on a deep hypnosis, only nobody had hypnotized her.

Time was frozen, and if it ever started running again and she was asked what she had seen..she wouldnt be able to anwser.
Maybe it wasn´t about observing - it was about waiting for something to happen.

sábado, 9 de julho de 2011

dead end

Posso passar o dia inteiro perdida em mim mesma. Vou e volto nos mesmos caminhos e, quando já não houver mais, invento o que não sou.

terça-feira, 5 de julho de 2011

fim do começo

Dias de sol e vento
Que me levou e agora me traz outra vez à minha cidade
Manhãs gélidas e paradas no tempo
Do que já não pode ser, do que sobrou da saudade

A casa de sempre, cheia de mim
O quarto de sempre, vazio nele mesmo
Caminho para chegar ao conhecido fim
Nas ruas de porto alegre não ando a esmo

Nenhuma outra capital poderia ser-me tão amarga e tão doce
Me despede, me recebe
Nenhuma outra capital poderia ser-me tão igual, ou tão diferente.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

people watchers

Não era o lugar mais conveniente para se comer, aliás, o oposto disso - como se, dentro de um projeto pessoal de almoçar em lugares não ortodoxos, tivesse escolhido aquele para o experimento da semana.
E ali estava, se erguia na forma ostentosa na selva de concreto, em direção ao céu. De um lado e do outro do extenso canteiro, carros passavam velozes, procurando chegar ao outro extremo da cidade o mais rápido possivel; ali no centro porém, algumas pessoas vendiam bugigangas aos passantes, outras liam o jornal.

A garota ao chegar ao lado do monumento, comparou a projeção da sua sombra com a do imenso adorno - a sua mal chegava ao paralelepípedo, a do obelisco, se alastrava por uma das avenidas mais largas do mundo, fazendo sombra para os pedestres.

Com seu pacote ainda quente entre as mãos, procurou um espaço livre e sentou-se entre uma das muretas, tentando proteger-se do vento que vinha por aquele imenso corredor de asfalto que era a 9 de Julio. Cruzou as pernas no próprio colo, destapou o recipiente de plástico e, depois de fazer com gestos um brinde silencioso ao progresso, começou a comer com seus talheres também de plástico.

Talvez desse partida ao seu projeto de comer em lugares não-convencionais, ou ali sempre. Era ideal: entre o trânsito constante de automóveis e pessoas, podia observar o quanto quisesse! Estava sentada com sua refeição chinesa no meio daquela confusão constante, no meio do relógio, um segundo antes do passo, um depois do trabalho. A delícia do anonimato na grande cidade.

Tão absorta em sua própria tarefa de abstrair o caminhar da senhora que passava à sua frente, não percebeu que sua descoberta de lugar não era inédita: na sua diagonal, um homem de fones de ouvido observava a senhora e agora mirava a menina fixamente pelo canto do olho. Analisava sua postura, seus anéis, seu caderno bagunçado. Seus olhares se encontraram rapidamente e se reconheceram como iguais.

No coração da cidade, um grupo desconhecidos se reunia para adorar a outros desconhecidos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

sem norte

Acredito profundamente de que se eu estou sem pista do que quero tirar foto, tem algo bastante errado.




É um pensamento óbvio, mas realmente preciso dar um passo para o lado para ver o lugar que eu estava ocupando.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

um minuto para ver passar o minuto.



Hoje, analisando as fotos que tirei para um exercício de aula, percebi que uma das melhores coisas que se pode ter para apreciar (no caso retratar) um momento é a o seguinte: descontração concentrada. Estar esperando por ele de uma maneira preguiçosa, assim graciosa e simples. Saber recebê-lo.

Não foi o que fiz. As ditas fotos ficaram um desastre. Um desastre bem pontual, quando pendurei-as no quadro em frente à turma e dei um passo pra trás para ver-las melhor, o equívoco óbvio me atingiu: não tinha realmente olhado o momento antes de registrá-lo.
Não é piada, creio que a devastadora maioria das fotos é tirada sem ter sido realmente vista antes. Tanta gente é fotografada sem ter sido observada, sem terem-lhes tido o cuidado de notar como o sol, ao tocar suas faces, as faz corar


Realmente valorizo o que me faz querer largar tudo e apreciar um momento em toda sua simplicidade.